quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Lula fala sobre preconceito

Lula faz uma fala extraordinária sobre o preconceito de classe.
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quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Breve balanço da atuação do núcleo Carlos Mariguela em 2010

Escrever um texto de balanço de ano nunca é fácil, ainda mais em se tratando de um coletivo político de atuação dentro de um partido político – PT. São vários os elementos a serem levados em consideração, o contexto político, as atuações individuais e a sintonia do grupo. Apesar das dificuldades, optamos em escrever este texto para ver onde de fato estamos avançando e onde estamos estacionados e com isso analisar a real contribuição do núcleo Carlos Mariguela ao conjunto do Partido dos Trabalhadores – PT.
O Núcleo surge no ano de 2000, formado majoritariamente por professores e alunos da rede estadual de ensino com o propósito de discutir política. A partir deste grupo surge a idéia de fundar o cursinho Comunitário Pimentas em janeiro de 2002. Desde grupo surge a idéia de lançar a então professora Marisa de Sá a vereadora em 2004 e em 2008 lançar o professor Rômulo a vereança.
Em janeiro desse ano – 2010 – o núcleo foi reformulado com o objetivo principal de ser um espaço de formação política e de intervenção em assuntos dentro do PT, algo que julgávamos estar em falta no partido até aquele momento
No que diz respeito à formação política fizemos três atividades consistente de formação, com três quadros do PT. A primeira atividade foi em 27 de março com o ex-prefeito de Guarulhos Elói Pietá. Foram expostas as principais linhas do programa de Governo da então presidenciável Dilma Roussef. A segunda atividade realidade foi em 15 de maio com o professor da USP André Singer que discorreu sobre o fenômeno do lulismo, bem como os desafios do PT em ser uma referência de socialismo na sociedade brasileira no século XXI. E por fim, no dia 14 de agosto o professor da USP José Carlos Vaz apresentou o Plano Nacional de Banda Larga, inserido dentro do contexto de redes sociais, juventude e inclusão social.
As três atividades foram um sucesso de público, ocorreram sempre aos sábados no período da tarde, mostrando que as pessoas- militantes ou não - têm interesse em discutir os rumos do partido. As discussões sempre ricas e profundas sobre os rumos do socialismo no partido mostraram definitivamente que quando se há espaços para reflexão as pessoas discutem.
Das três atividades duas contaram com professores universitários, além do fato de boa parte dos integrantes do núcleo ser universitários, o que facilita a interlocução com tais professores, temos a preocupação constante de aproximar o PT da intelectualidade para com isso potencializar espaços de reflexão crítica, algo que o partido foi perdendo a medida que sua agenda prioritária passou a ser ganhar as eleições.
O núcleo reformulado, ganha força política para continuar sua empreitada. Entretanto, muitos obstáculos devem ser ultrapassados. O primeiro refere-se a falta de clareza dos dirigentes do partido em ver espaços de reflexão como momento estratégico para formular politicamente e aguçar o senso crítico sobre as práticas partidárias. O segundo obstáculo, ligado ao primeiro, é que deixamos para segundo plano tais momentos, nossas vidas estão cada vez mais sendo sugada por lógicas de disputas por espaços no partido ou atendendo demandas pontuais.
O PT para continuar a ser um partido que dialogue com os movimentos sociais, setores progressistas da sociedade, intelectuais etc deve ser um partido que resista a ser uma máquina eleitoral como os demais, para tanto espaço de reflexão torna-se fundamenta para isto

domingo, 10 de janeiro de 2010

A esquerda latino americana

Terminei de ler recentemente o mais novo livro do Emir Sader "A nova toupeira". Nesta obra o autor faz um balanço político da nova esquerda latinoamericana no contexto atual e problematiza os limites e possibilidades da atuação dos governos ditos populares e de esquerda. Além disso, apresenta quais os rumos que a esquerda deve trilhar para alcançar uma sociedade pós neoliberal e vislumbrando o do socialismo.
O livro começa com a descrição do que seria a nova toupeira. Este bixo, tão singular e de hábitos próprios, tem como característica central viver cavando túneis, quando emerge a superfície ele observa ao seu redor, se tiver tudo bem sai para fora, se não, volta a cavar e procura outro ponto para emergir. A esquerda latino americana trilha este caminho, quando o mundo, pós queda do muro de Berlim estava sobre hegemonia neoliberal, o nosso continente foi o primeiro a mostrar o esgotamento do modelo e alternativas para a sua superação.

Historicamente, segundo Sader, a esquerda em nosso continente emerge em momentos importantes, diante do acirramento da luta de classes. Os exemplos são vários: Zapata e "Pancho" Vila lutando pela revolução mexicana (destacando-se na luta pela reforma agrária - 1910); Fidel Castro e "Che" Guevara na revolução cubana (1959); Luís Carlos Prestes com a coluna Prestes e mais tarde na intentona comunista (1935); Tupararus, movimento urbano armado pela libertação nacional, criado no Uruguai (1960) ; e tantos outros exemplos. A história da esquerda em nosso continente foi de avanços e recuos.
No momento atual estamos na ofensiva da esquerda. Emir Sader analisa esta situação, na segunda parte do livro "A crise hegemônica na América Latina". Durante a década de 80 e, sobretudo, na década de 90 a América Latina, como todo o mundo, viveu um forte e intenso processo de desregulamentação da economia, desmantelamento do Estado, tudo sobre a égide do deus mercado, propagado pelo pensamento neoliberal. Foi um momento duro para a esquerda, pois além de não ter mais o referencial concreto do socialismo, que até 1989 era a URSS, a base de sustentação da esquerda estava sendo desmantelada. O mundo do trabalho foi fortemente abalado pela ofensiva neoliberal no que tange a desregulamentação do trabalho, atingindo fortemente o poder político dos sindicatos. Além disso, outro golpe, como dito anteriormente, foi a queda do muro de berlim, muitos intelectuais, até então de esquerda, ficaram perdidos e aderiram ao pensamento reformista ou em muitos casos ao neoliberalismo.
Apesar desta ofensiva muito forte, o modelo esgotou-se rapidamente, pois como coloca Sader, o neoliberalismo destrói suas bases de reprodução, como foca no setor financeiro (no lucro imediato) enfraquece o setor produtivo gerando desemprego, aumento da exploração e da desigualdade social. Logo, vieram as convulsões sociais nos países latinoamericanos. Esta crise neoliberal abriu um novo caminho para a toupeira emergir. A partir de então, os movimentos sociais se fortalecem, os partidos de esquerda conseguem ganhar mais espaço no eleitorado, surge um novo projeto político alternativo ao neoliberalismo.
Esta guinada inicia-se no final dos anos 90 e, sobretudo, na década de 2000. Hugo Chavez é eleito na Venezuela, Lula no Brasil, Kirchener na Argentina, Evo Moralez na Bolívia, Rafael Corrêa no Equador, Fernando Lugo no Paraguai. Esta mudança da conjuntura política gerou profundas mudanças no quadro social, econômico e político. Um exemplo disso, é que um dos maiores projetos neoliberais da década de 90, a ALCA (Área de Livre Comércio das Américas) não foi aprovado, graças a guinada para a esquerda dos governos latino-americanos.

Emir Sader aborda na terceira parte "O enigma Lula", os limites e possibilidades do governo. Afirma que no governo Lula houve diversos avanços. Sader enfatiza dois avanços, que ao seu ver, caracteriza o governo como sendo de esquerda: as políticas sociais, que foi um dos fatores para a diminuição da desigualdade social; e a segunda foi a política externa, o governo Lula rompeu a relação de subordinação à Casa Branca e priorizou a construção de uma agenda externa voltada para América Latina, e na relação Sul-Sul (África, Ásia e Oceania).
Sader é duro com os "pretensos"críticos de esquerda, no que ele chama de ultra esquerdismo. Estes críticos, tentam aplicar os princípios marxistas, desconsiderando a realidade, sem compreender o contexto político. Esta postura acaba fortacelendo indiretamente o projeto político da direita, pois quando muitas vezes há um governo popular, como o governo Lula, os setores de ultra esquerda desqualificam o governo como um todo, ao invés de disputá-lo e combater as políticas conservadoras do mesmo.

Por fim, Sader encerra o livro apresentando o desafio teórico da esquerda latino-americana, de como construir um referencial teórico a partir da realidade latino americano. Faz-se necessário construir um pensamento crítico autônomo, que considere as particularidades históricas do nosso continente, levando em consideração as contribuições dos autores clássicos marxistas (na maioria dos casos europeus e russos), mas subordinando as contribuições a luz da realidade latino americana.